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Nessa terça-feira, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping, a partir das 19h30, vai rolar evento de lançamento da revista Novos Estudos, publicada há quase 30 anos pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). Multidisciplinar, a revista é um dos principais fóruns do país para questões políticas, sociais, artísticas e culturais.

Junto com a nova edição da revista, a editora Globo e o CEBRAP lançam uma coletânea comemorativa dos 40 anos do centro, reunindo artigos clássicos de interpretação do Brasil e de engajamento político, atividades que são o norte do Centro e da revista há algumas décadas, publicados na revista.

O número de novembro marca a despedida de Flávio Moura (listado nos nossos blogs favoritos aí ao lado) da editoria da revista, depois de muitos anos à frente da publicação. A partir do número 86 (março de 2010), quem assume essa bronca é este que vos fala.

Vale muito a pena acompanhar, comprar ou assinar a revista.

Com muita honra, fui convidado pela +soma para cobrir um evento com novíssimos nomes da arte contemporânea na Inglaterra. Tive sorte e peguei a cidade em uma animação danada. Exposições com trabalhos inéditos de Anselm Kiefer,  Gustav Metzger, Damien Hirst, Anish Kapoor e  Carlos Garaicoa; além das retrospectivas de John BaldessariEd Ruscha e um ponto de vista equivocado, mas forte , sobre os desdobramentos da pop. Aqui em Londres confirmei que a Sophie Calle de fato não faz o meu tipo (em breve mando um artigo sobre isso), mas vi muitos garotos cheios de energia fazendo arte e música boa.

Um que faz as duas coisas ao mesmo tempo é o Felix Thorne. Vi e gostei das suas traquitanas. Por isso, aproveito e posto as máquinas operando. Enquanto o tempo não passa, aviso que no sábado vou ver o Steve Reich executar as suas peças e domingão tem a alegria da London Improvisers Orchestra de sempre (para mim um dos melhores programas turísticos de Londres). Hoje eu soube que ontem perdi a Haco, mas a vida é assim…

inferno

Das músicas de domínio público, Cuitelinho é uma das mais bonitas. Aqui, ela é interpretada pelo Renato Teixeira e o seu filho Chico Teixeira. A versão inclui uma parte que o Paulo Vanzolini  fez para a letra:

cuitelinho (autor desconhecido)

Cheguei na beira do porto
Onde as onda se espaia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia, ai, ai
Ai quando eu vim
da minha terra
Despedi da parentáia
Eu entrei no Mato Grosso
Dei em terras paraguaia
Lá tinha revolução
Enfrentei fortes batáia, ai, ai
A tua saudade corta
Como aço de naváia
O coração fica aflito
Bate uma, a outra faia
E os óio se enche d’água
Que até a vista se atrapáia, ai…

Vou só levantar a bola, porque legal mesmo nesse blog são os textos do Lauro sobre música e os textos do Tiago sobre arte (o daí de baixo é imperdível, pelo texto e pelos trabalhos da Ana) e os comentários dos amigos-leitores. Sério mesmo: o lance é disparar conversa.

Essa cassação em massa da base de apoio do Kassab na Câmara dos Vereadores do município de São Paulo é o maior escândalo político do ano. Sem alarde – não sei de vocês, mas a notícia me pegou de surpresa – a justiça cassou o mandato e tornou inelegível por três anos 13 vereadores, entre eles seis do PSDB e quatro do DEM (e do PV, PTB e PP, um de cada). Segundo as investigações, todos receberam doações irregulares da mesma entidade, a Associação Imobiliária Brasileira (AIB) que, segundo o juiz responsável pelo processo, Aloisio Sérgio Resende Silveira, é uma “fraude”. Todo mundo sabe que a relação entre prefeituras e o setor imobiliário nas grandes capitais brasileiras é digna de filme noir americano, estilo Chinatown. Muita história esquisita, muita grana. Gostaria de entender como anda sendo utilizado por essa gestão o instrumento, elaborado na gestão da Marta Suplicy, da “Operação urbana”. A próxima será na Vila Sônia, e, eu que passo por ali várias vezes por semana, já começo a cheirar especulação imobiliária e gentrificação no entorno da futura estação final da linha amarela do metrô.

Pacto sinistro

Pacto sinistro

Acho que vocês lembram, também, que o Kassab meteu na secretaria responsável pela fiscalização de obras na cidade um conselheiro “licenciado” do Secovi (“sindicato” do setor imobiliário), Orlando de Almeida Filho. Então o que o prefeito bunda mole anda fazendo nos últimos anos é simplesmente vender a cidade aos pouquinhos. É um moleirão, garoto de recados dos construtores interessados em levantar prédios horrorosos e caríssimos por todos os bairros com alguma infraestrutura na cidade.

Eu consideraria, se nada mais acontecer, que essa é a pá de cal nessa aliança sinistra que diz ter projeto para o país. Todos lembram que o Kassab herdou a prefeitura do seu chefe José Serra. Gostaria agora de vê-los  levantar a bandeira da democracia, da gestão técnica independente e da honestidade. É, seguramente, um evento sem precedentes.

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Harold Rosenberg

Harold Rosenberg

Objeto ansioso é a segunda seleção de ensaios de Harold Rosenberg publicada no Brasil. Há muito o autor não era traduzido no país. O livro traz uma visão muito peculiar sobre os desdobramentos da arte moderna nos Estados Unidos. Pensando diversos problemas contemporâneos à sua escrita, Rosenberg traça uma trajetória das artes plásticas no século XX. Fala da formação de uma sensibilidade modernista no seu país, tangencia questões do realismo social, predominante na pintura americana entre a depressão e o pós-guerra, trata de precursores da radicalidade moderna na América como Hans Hoffman e Ashile Gorky, passa por questões do expressionismo abstrato, por seu desenvolvimento, seu apogeu e termina problematizando uma crise da arte moderna que ultrapassa as fronteiras de sua nação.

O teórico foi um dos principais entusiastas da abstração americana. Sua interpretação tentava escapar tanto do juízo conservador, que desqualificava esta pintura mais gestual do expressionismo abstrato excluindo-a dos domínios da arte, como da interpretação bolchevique, que não enxergava qualidades emancipatórias naqueles artistas. Para Rosenberg aquele tipo de arte, que ele nomeou Action-painting (pintura de ação), era o que expressava melhor o esforço da criação de um novo homem nas artes plásticas.

De Kooning, Pollock e Hoffmann (para ficar com três dos seus exemplos clássicos), não se valiam da indeterminação das manchas e da grossa massa pictórica para fugir de questões urgentes da história e nem para dissolver a arte em borrões, pelo contrário; afirmavam a experiência artística, como uma salvaguarda da subjetividade, quando ela se via atacada por todos os lados.

No entanto, o autor escreve os textos num momento posterior a este auge da pintura americana. A arte viva um período de profundas transformações. A procura pelo novo, que até então podia ser identificada com a transformação do mundo, aparece nesta época, de acordo com Rosenberg, como uma fome de novidade. Com a rebeldia e a experimentação institucionalzadas, para o bem e para o mal, restou à crítica paciência e generosidade. Rosenberg tem as duas coisas de sobra.

O livro nos ensina como poucos a olhar uma obra sem deixar nos contaminar por ortodoxias históricas e nem modismos intelectuais. O único elemento fixo que o autor parece procurar nos trabalhos é uma certa ansiedade, que, como ele diz, aparece na forma de “uma vontade da arte continuar existindo, a despeito das condições que possam tornar a sua existência impossível”.

De Kooning (1961)

De Kooning (1961)

É tudo nosso - ou assim esperamos

É tudo nosso - ou assim esperamos

Para o fundador do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e Ministro do Planejamento de Médici e Geisel (1969-1979) João Paulo dos Reis Velloso, no novo marco regulatório de exploração do pré-sal só duas preocupações são fundamentais: interesse nacional e longo prazo. Uma perspectiva que, assim como a do ex-ministro de Sarney e FHC Luis Carlos Bresser-Pereira, é pouco suspeita de ser governista: para Bresser, quem  da oposição critica o “cerne do plano” está se “identificando com os interesses das empresas petrolíferas internacionais”. Já na The Economist, uma receita mais tradicional: deixa tudo como está, e convida-se os bacanas de todo mundo para a festa. Quem sabe num arranha-céu em Dubai. No Financial Times, também o temor de que os investidores percam o interesse de entrar no que pode ser o negócio da década (e que, muito provavelmente, eles querem transformar no negócio do século, para dar bom dia com o chapéu alheio). Saudades, certamente, do Xá Reza Pahlevi. Ainda no FT, a íntegra da entrevista com a ministra Dilma Roussef. No site da CartaMaior, o discurso em que o presidente Lula conclama a população a participar do debate sobre o pré-sal (e o Guaciara topou). Para quem não sacou da missa o terço, uma explicação técnica didática sobre o pré-sal no site da Petrobras. No site da RedeTV!, Kennedy Alencar entrevista Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras (valeu, Alê!). E quem lembra da Petrobrax? Os tucanos não lembram, a torcida do Flamengo (e principalmente!) lembra. E, por último, o dernier cri de la mode: vista essa camisa.

Ontem, o Lauro se empolgou com a apresentação da Filarmônica de BH. Mandou a música que eles executaram Aí foi minha vez, eu me empolguei com Dom Quixote e coloco aqui no blogue. Uma versão bala da música de Richard Strauss, regida pelo Karajan e com o Rostropovich no violoncelo. Melhor que isso só dois disso:

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