lusófonos

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Existem ótimos textos sobre a lei na página do professor Marcos Bagno. O artigo de José Luiz Fiorin (autor de As astúcias da enunciação) fala das mudanças que o acordo traz para o português escrito aqui, em Portugal e nos outros países lusófonos.  Carlos Alberto Faraco apresenta o novo acordo e esclarece muita coisa. Por fim, um artigo do próprio Bagno, publicado na revista Caros Amigos.

A página de Bagno é muito boa. Traz notícias sobre a língua, suas mudanças e sobretudo trata do que ele chama de preconceito linguistico. Faz pouco tempo que eu ouvi falar do seu polêmico livro Preconceito lingüístico.  O livro é muito conhecido e já foi muito discutido. Na imprensa e na internet, foi interpretado de forma apressada, como se fosse uma defesa do vale-tudo na escrita. Não me parece que seja isso.

Depois de uma apresentação entusiasmada do Paulo Werneck, um dos consultores do blogue, resolvi ler o texto. Fiz muito bem, é surpreendente. O livro parte da idéia canhestra que os falantes brasileiros não sabem falar sua língua. A partir disso, tira importantes conclusões.

Fiquei entusiasmado, sobretudo, pela substituição de alguns conceitos. O modo de tratar relações de poder, a idéia de certo e errado foi muito bem pensada e articulada no nome que o autor dá aos fatos. No livro, por exemplo, o binômio erro e acerto é trocado por outro, que separa as relações gramáticas das agramáticais. Assim, não se trata  de classificar uma proposição perfeitamente cognoscível como certa ou errada, mas de pensar as relações como cognoscíveis ou não cognoscíveis. Inevitavelmente, tentei pensar alguma relação possível entre essas categorias e a idéia de regra, que Wittgenstein desenvolve nas Investigações filosóficas.

Outra modificação terminológica do livro de Bagno é a substituição da idéia de norma culta por norma padrão. Não sou versado na matéria, mas me parece um avanço metodológico. Por mim, posso dizer que aprendi muito com a mudança do adjetivo.

Pelo o que entendi, sua proposta pedagógica tenta evitar não os padrões e convenções da língua, mas incorporar sua dinâmica e evitar os constrangimentos e a ineficácia das formas consolidadas do ensino do português. Além disso, o livro é muito bem escrito.  Bem, mas isso fica para outra conversa.